Pretendemos, neste artigo, fazer um percurso pela obra de Freud sobre a reação terapêutica negativa, um dos maiores obstáculos à efetividade do tratamento analítico. Essa força surge lenta e progressivamente, capturando, analisando e envolvendo o analista, às vezes de maneira letal, desconstruindo e/ou destruindo os vínculos. Abordaremos a compulsão à repetição, a pulsão de morte e o masoquismo moral, bem como o papel do analista numa tentativa de evitar a ruptura abrupta do processo analítico, abrindo espaços para novos vínculos. Recorremos às ideias de Pontalis (1988, 1991) para tentarmos pensar dois fragmentos clínicos por meio dos quais a reação terapêutica negativa se apresenta como uma tentativa de cura e preservação da analista-mãe.

Maria Goretti Machado

Maria Goretti Machado

Psicanalista, membro Efetivo da SBPMG, Mestre em Psicologia (PUC-MINAS), pós graduação em Psicologia Médica(UFMG), especialista em psicologia Clínica